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quarta-feira, dezembro 28, 2011

Polícia Militar desencadeia mega operação em Coari


A Polícia Militar do Estado do Amazonas realizará de 13 a 23 de janeiro/2012, na cidade de Coari (distante cerca de 365 km de Manaus), uma mega operação denominada “Operação Saturação”. 

A operação visa coibir crimes como tráfico de drogas, furtos, roubos e até o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Participarão da operação, policiais do Comando de Policiamento Especializado – CPE e policiais militares da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar de Coari, além dos parceiros da segurança pública, Polícia Civil, Poder Judiciário e Ministério Público, e também, Prefeitura Municipal de Coari e todos os órgãos componentes do sistema de Defesa Social.

Ao todo serão 42 militares empregados diretamente na referida operação. Segundo o coordenador da Operação Tenente Coronel Cosme Januário “A atuação da PM no local é na verdade um pedido da própria população que tem denunciado diversos roubos e furtos a casa e veículos na cidade”. Declarou o Ten. Cel. Cosme Januário, que ainda ressaltou que a principal missão da operação é deter grupos de infratores conduzindo veículos irregulares ou roubados, infratores com volume do som acima do permitido por lei, infratores que estejam ligados ao tráfico de drogas dentre outros crimes.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Mitouso tem medo de morrer

Para chegar ao gabinete do prefeito de Coari, a reportagem  atravessou três portas que permanecem trancadas e vigiadas por seguranças, guardas municipais e um policial fardado. Mitouso tem medo de morrer. Na noite de 5 de agosto, em Manaus, ocupantes de um Palio atiraram 11 vezes contra a picape em que ele estava. Foi baleado na nuca e no pescoço. Uma bala atingiu a testa do segurança, que também não morreu.
 
Sérgio Torres e Fábio Motta - O Estado de S.Paulo
 
Recém-condenado a oito anos de prisão pelo assassinato do ex-prefeito Odair Carlos Geraldo, o prefeito Arnaldo Mitouso (PMN) afirma que o dinheiro dos royalties é insuficiente para fazer uma boa administração em Coari. Ele, que em agosto passado sobreviveu aos ferimentos de dois tiros disparados em um atentado, disse que, em 2012 pedirá verba ao governo federal para construir sete creches, orçadas em R$ 8,4 milhões, e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Quer também que a Petrobrás ajude financeiramente os projetos sociais da prefeitura.
À frente da administração municipal desde 2009, quando venceu eleição suplementar convocada após o afastamento do prefeito anterior, Mitouso, de 53 anos, culpa seus antecessores por todos os problemas que assolam hoje a população de Coari. Quando assumiu, disse, "as ruas estavam todas estouradas".
"Aqui há muitas carências. Em toda cidade, quando vem o desenvolvimento, vêm os problemas. Coari, até 25 anos atrás, era pacata. Após a descoberta do petróleo virou uma espécie de garimpo. Milhares de pessoas vieram para cá", disse Mitouso.
Segundo ele, o recebimento dos royalties do petróleo trouxe uma expectativa muito grande, que passa uma imagem enganosa da realidade da cidade. "Dá a impressão de que Coari não precisa de ajuda. A realidade não é bem assim. A Petrobrás não tem nenhuma parceria com a prefeitura. As administrações anteriores tiveram um monte de problemas. A Petrobrás ficou arredia. Espero parcerias com ela em 2012", disse ele, ex-bancário que exerceu dois mandatos de vereador e planeja disputar a reeleição no ano que vem.
A sete chaves. Para chegar ao gabinete do prefeito de Coari, a reportagem do Estado atravessou três portas que permanecem trancadas e vigiadas por seguranças, guardas municipais e um policial fardado. Mitouso tem medo de morrer. Na noite de 5 de agosto, em Manaus, ocupantes de um Palio atiraram 11 vezes contra a picape em que ele estava. Foi baleado na nuca e no pescoço. Uma bala atingiu a testa do segurança, que também não morreu.
Mitouso credita o atentado que sofreu "à briga política" que existe em Coari. Ele conhece bem o assunto. Em 22 de novembro passado, o Tribunal de Justiça do Amazonas o condenou por considerá-lo culpado da morte a tiros do ex-prefeito. O crime ocorreu em agosto de 1995, no plenário da Câmara de Vereadores. Como está recorrendo contra a condenação ao tribunal, ele não foi preso. Se perder o recurso, irá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Mitouso admitiu ter disparado contra Geraldo, mas disse que os tiros fatais não partiram de seu revólver. "Tive problemas quando fui vereador. Eu era oposição ao prefeito."
Ele tem outra versão para o que ocorreu há 16 anos: "Tentaram me atacar. Levei dois tiros e disparei duas vezes. (...) Eu portava um revólver 32. No corpo dele (Odair Carlos Geraldo) recolheram duas balas de 22. Foi um tiroteio. Mas eu não matei ele", assegurou.
O principal inimigo político de Mitouso atualmente é o ex-prefeito Adail Pinheiro, que em 2008 foi preso pela Polícia Federal (PF) - ele foi acusado de participar de um esquema que envolvia desde o desvio de verbas públicas à exploração da prostituição infantil.
Em uma casa que seria do ex-prefeito, os agentes encontraram, escondidas no forro, sete malas cheias de dinheiro, totalizando R$ 7 milhões. Pinheiro não foi localizado pela reportagem. No inquérito, sempre negou envolvimento nos crimes investigados pela Polícia Federal. Ele ainda não foi julgado. O dinheiro continua apreendido. Ninguém se apresentou à PF dizendo-se dono dele.
Desde 2008, as contas de Coari não são julgadas pelo Tribunal de Contas do Amazonas. As análises técnicas sugerem a necessidade de uma rejeição formal à contabilidade apresentada pela prefeitura nos últimos três exercícios, mas os conselheiros ainda avaliam as justificativas apresentadas. A auditoria sobre o exercício de 2010 listou pelo menos cem irregularidades em licitações, contratação de funcionários e contratos variados.
Investigações. Coari é uma "operação de guerra" para o tribunal, na definição de um técnico ouvido pela reportagem. Este ano, foram deslocados para a cidade oito especialistas em finanças, contratos, licitações, gestão de pessoal, administração pública e obras, protegidos por seguranças de fora. Aos demais municípios, são enviados no máximo três auditores.
Autor de oito ações civis públicas contra o prefeito por improbidade, o promotor José Fish evita se expor em público. "Estou com medo", disse ele, que em abril teve a casa arrombada. "Derrubaram uma parede a marretadas. Picharam tudo, roubaram equipamentos, roupas." Fish, de 35 anos, conta que nem em cidades na fronteira com Colômbia e Peru, onde também trabalhou, sentiu-se tão assustado como em Coari.
"No mês passado, eu comprei uma arma e estou fazendo curso de tiro. Nunca pensei em andar armado, mas tenho que me defender de alguma forma. Abandonei as caminhadas diárias. Saio do fórum às 17 horas, junto com todos os funcionários. Não fico sozinho lá de jeito nenhum. Não tenho nenhuma segurança. Estou processando 12 dos 35 policiais da cidade por tortura", afirmou o promotor.
Fish pede, em ação civil pública à Justiça, o afastamento do prefeito. A ação aponta Arnaldo Mitouso como responsável pela contratação de um escritório de advocacia para defender judicialmente a prefeitura.
Assinado em janeiro de 2010, com vigência de um ano, o contrato estipula um total de R$ 720 mil em remuneração ao escritório. "Os sócios do escritório são dois assessores diretos do prefeito. Além disso, a contratação não se justifica, porque a prefeitura tem uma procuradoria cuja função é defendê-la na Justiça", disse o promotor.
A Prefeitura de Coari informou apenas que o contrato já foi anulado, mas não comentou o motivo da contratação do escritório.

 Fonte: O Estado de S.Paulo

AM fecha novembro com a 3ª maior produção de petróleo e gás natural

Girlene Medeiros Do G1 AM

Descoberta de Urucu completou 25 anos. (Foto: Divulgação/Petrobrás) 
Descoberta de Urucu completou 25 anos. (Foto: Divulgação/Petrobrás)

O Amazonas ocupa o terceiro lugar na lista dos estados com maior produção de petróleo e gás natural da Petrobrás do Brasil, em novembro deste ano, ficando atrás apenas dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. 116.452 mil barris de petróleo e gás foram produzidos no estado por dia. Em todo o país, a produção apresentou um crescimento de 3% em relação a outubro deste ano. Os dados foram divulgados, esta semana, pela Petrobrás.

De acordo com informações da empresa, 51.220 mil barris de petróleo e 10.371 mil metros cúbicos de gás natural foram produzidos, por dia, no estado. A quantidade de gás no município de Coari, a 421 km de Manaus, via fluvial, faz do local o maior produtor terrestre de gás natural. A descoberta do campo de Urucu completou 25 anos no mês de novembro deste ano e o gasoduto Urucu-Coari-Manaus possui capacidade atual é de 6,75 milhões de metro cúbicos, por dia, dos quais 5 milhões são destinados à geração termelétrica.

Ainda na base de Urucu, o Polo Arara produz 1,3 tonelada de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) - equivalente a 115 mil botijas de 13kg - direcionados para o abastecimento do Amazonas, Pará, Rondônia, Maranhão, Tocantins, Acre, Amapá e parte do Nordeste.
HRT
Outra empresa de exploração de petróleo e gás natural que atua no estado é a HRT. No terceiro trimestre deste ano, a empresa identificou a presença de três intervalos de gás e cinco portadores de petróleo no município do Tefé, distante 631 km de Manaus, via fluvial.

Fonte:  g1.globo.com

domingo, dezembro 25, 2011

Riqueza do petróleo não chega à população de Coari

Município amazonense que mais recebe royalties fora do Sudeste enfrenta graves problemas sociais

24 de dezembro de 2011 | 17h 11
 Sergio Torres e Fábio Motta, de O Estado de S. Paulo
COARI (AM) - A cidade em que peixes, frutas e legumes são lavados no esgoto e expostos no chão é a que mais recebe royalties do petróleo fora do Sudeste brasileiro. A amazonense Coari arrecadou R$ 318,73 milhões desde 2005, pela exploração de óleo e gás em seu território. De janeiro a novembro deste ano a prefeitura faturou R$ 52,64 milhões, três vezes mais do que a capital Manaus (R$ 16,99 milhões). A falta de higiene no manuseio de alimentos é só um indicativo de que, embora rico, o município enfrenta problemas sociais muito graves, provocados por má gestão e desvio de verbas públicas. (veja mais detalhes no vídeo abaixo).

Peixes ficam no chão e são lavados com água suja - Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE
Peixes ficam no chão e são lavados com água suja
O hospital, a maioria das escolas, a estação de tratamento e o aterro sanitário são prédios novos que, por falta de equipamentos e profissionais, ou não funcionam ou prestam serviços de qualidade muito ruim. Esse quadro equipara Coari aos índices sociais de outros municípios do Amazonas. Só que a cidade é a sede da Província Petrolífera de Urucu, reserva explorada pela Petrobrás que armazena 17,6% do gás natural produzido no País. Os royalties pagos a outros municípios do Estado podem ser considerados irrisórios perto das quantias recebidas por Coari nos últimos sete anos.
No ranking de 2011 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP) Coari aparece na 17.ª colocação, atrás apenas de municípios do Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, beneficiados pela proximidade com as bacias petrolíferas de Campos e Santos. Embora haja dinheiro - royalties de R$ 4,78 milhões por mês, em média, desde o início do ano -, as benesses dessa riqueza não são percebidas no cotidiano de Coari.
Episódios recentes evidenciam bem o problema. No início do mês, a frota de 46 veículos a serviço da prefeitura foi apreendida judicialmente por falta de pagamento à empresa que os alugou. Três balsas lotadas de picapes, caminhões, micro-ônibus, motos e carros com a logomarca da administração municipal partiram para Manaus. Das três ambulâncias da frota, duas foram levadas. A que restou, antiga, não tem condições de uso.
"Minha empresa quebrou. Os carros foram todos sucateados, 14 tiveram que vir no reboque", protesta o empresário Giusepp Amore, dono da Amore Rent a Car, na capital do Amazonas. Ele não revelou o valor da dívida contraída pela prefeitura, estimada em cerca de R$ 2 milhões em Coari. Diz apenas que o governo municipal não lhe pagou nove meses do contrato de locação.
A Petrobrás fechou seu escritório no centro da cidade e deixou de financiar projetos sociais, depois que os últimos prefeitos começaram a ser investigados (um deles foi preso) sob a acusação de embolsar recursos dos royalties. A companhia só mantém as atividades nos três campos em Urucu - na selva, a 200 km de distância - e no restrito terminal do Rio Solimões, de onde escoa a produção de óleo e gás, a 30 minutos em lancha rápida da sede de Coari.
Atraso
Os salários do funcionalismo chegaram a atrasar quatro meses. Neste fim de ano o atraso caiu para um mês. Ninguém sabe direito quantos são os empregados da prefeitura. O prefeito Arnaldo Mitouso alega que ao assumir, em 2009, encontrou destruídos os computadores que armazenavam dados do quadro funcional. Na cidade, falam que são 8 mil empregados, mais de 10% da população de cerca de 76 mil pessoas. No primeiro semestre, 3 mil terceirizados foram demitidos.
A indústria do petróleo, iniciada em 1988 com a produção do primeiro poço em Urucu, atraiu a Coari milhares de pessoas, a grande maioria sem qualificação profissional adequada para o setor. A população dobrou desde 1991, de acordo com os censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eram 38 mil habitantes há 20 anos.
Os novos moradores passaram a ser empregados em funções mal remuneradas, como limpeza e trabalhos braçais em obras como o gasoduto Urucu-Coari-Manaus, inaugurado há dois anos, e o terminal do Solimões. Com o fim das construções e o afastamento da Petrobrás, aumentaram o desemprego, o subemprego e a criminalidade.
O delegado Luiz Veiga Martins, chefe da Polícia Civil na cidade, conta que o inchaço populacional fez crescer o número de assaltos e o tráfico de drogas.
"Muitas empresas se retiraram e ficou muita gente sem ter o que fazer. Ficou uma horda de gente, na verdade. Sinceramente, quando vim para cá, há quatro meses, não esperava essa quantidade de problemas. Pensava que era um município mais calmo, pois recebe muito mais dinheiro do petróleo do que os outros", disse ele.
Por dia, são presas três pessoas envolvidas com drogas e registrados 20 boletins de ocorrências. A média de homicídios em Coari é de um por semana. Além do titular, trabalham na delegacia oito investigadores e dois escrivães. Na Polícia Militar, são 35, dos quais dois oficiais.
Doenças
As precárias condições de higiene refletem-se na propagação de doenças entre os coarienses. Paulo David Braga, diretor do Hospital Dr. Odair Carlos Geraldo, conta que as diarreias são a maior causa de atendimento. O pescado é a dieta básica do habitante de Coari, mas a conservação em ambiente refrigerado praticamente inexiste. A venda de tucunarés, tambaquis, piranhas, pirarucus e matrinxãs ocorre na calçada em áreas movimentadas do centro. Tomados por moscas, a temperaturas que ao meio-dia chegam aos 40 graus centígrados, os peixes são, periodicamente, molhados com água retirada dos valões, numa tentativa de mantê-los apresentáveis.
Não há esgoto tratado na cidade. As valas com os dejetos da população, após percorrer quilômetros de aglomerados urbanos, seguem direto para o Lago Coari, junto ao Rio Solimões, que, 450 quilômetros abaixo, forma o Rio Amazonas, após o encontro com o Negro. O encontro das águas, logo depois de Manaus, é uma das mais conhecidas atrações turísticas do Estado.
Em Coari, a taxa de analfabetismo da população com mais de dez anos de idade, de 16,3%, supera em muito a do Amazonas, que é de 9,6%. Os professores queixam-se da sobrecarga de trabalho, da baixa remuneração e de atrasos no pagamento dos salários. As dez escolas da área urbana aparentam bom estado, o que não é suficiente para manter o aluno. Embora não haja dados oficiais, a evasão é calculada, por professores ouvidos pelo Estado, em cerca de 60% dos estudantes do ensino médio.
Sem infraestrutura, cidade vive no caos

A primeira impressão ao desembarcar no improvisado cais, após dez horas de viagem em barco desde Manaus, é de que em Coari o caos impera. Carregadores disputam quase no braço a chance de abordar os recém-chegados; embarcações circulam sem o mínimo ordenamento, o que provoca inacreditáveis engarrafamento fluviais; motos passam em velocidade em meio a pessoas e bagagens; charcos de esgoto formam-se no caminho até a cidade; botos cinzentos e rosados nadam e pulam à espera de comida jogada por meninos.
A impressão inicial torna-se certeza assim que o visitante se desvencilha do tumulto portuário. Em Coari, o meio de locomoção mais empregado é a motocicleta. São 15 mil, segundo cálculo pouco preciso da prefeitura. Em cima delas, podem estar até quatro passageiros. Não há respeito a pistas, faixas de trânsito e sinais luminosos. Os mototaxistas (em número calculado de 3 mil) ocupam as calçadas à espera de clientes. Os pedestres andam no asfalto, entre as motos e o esgoto que corre nas sarjetas. Por mês, 65 feridos em acidentes são hospitalizados na cidade. Os pacientes em pior estado vão para Manaus.
Surpreende também a quantidade de camelôs nas ruas. Vendem, principalmente, DVDs piratas e peixes. Amontoados no chão, os peixes não são pesados. A comercialização é por lotes. Dez piranhas presas em um arame custam R$ 10. A imundície se estende também aos legumes, verduras e frutas. Na rua em que é instalada todos os dias uma feira informal, no centro, as melancias ficam em contato direto com o chão tomado por excrementos.
A 450 km de Manaus pelo Rio Solimões, Coari fica em uma borda do lago Coari. O nome tem origem indígena. A versão mais aceita é a de que vem das palavras "Coaya Cory", que significam "rio do ouro". A cidade cresceu quase junto à margem direita do Rio Solimões. Não há estradas saindo de Coari. O rio é o acesso principal. De Manaus, lanchas que viajam a 60 km/h, com capacidade para cem passageiros, fazem o trajeto em até dez horas. As embarcações vagarosas, que levam até 300 pessoas, amontoadas em redes, navegam no mínimo 20 horas entre a capital amazonense e Coari.
A outra opção de acesso é aérea. Companhias regionais percorrem as principais cidades do interior do Amazonas em voos regulares. O aeroporto de Coari, em péssimo estado de conservação, esteve fechado no início do segundo semestre, porque a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) considerou inaceitáveis as condições da pista. O aeroporto já foi reaberto.

A expansão populacional não foi acompanhada pela melhoria da infraestrutura. Bairros surgiram do nada. Nessas ocupações não há esgoto, água tratada, coleta de lixo e arruamento. A última invasão ocorreu há 45 dias. A prefeitura devastou 12 hectares de selva amazônica para fazer um loteamento e uma estrada entre os bairros Grande Vitória e Pera. Castanheiras seculares, com 60 metros de altura, foram derrubadas. Não houve o obrigatório relatório de impacto ambiental antes da devastação. O Ministério Público do Estado abriu ação civil para apurar o crime ambiental.

A questão do lixo também é dramática em Coari. Inaugurado há quatro anos, o aterro sanitário municipal jamais funcionou. Os detritos são despejados em uma lixeira a céu aberto. Os rejeitos hospitalares vão para o lixão: seringas, gaze e materiais sujos de sangue. Como a coleta urbana é reduzida, toneladas de lixo acumulam-se sob as palafitas construídas nos igarapés (cursos d’água) que cortam a cidade.
Em uma delas, no igarapé Espírito Santo, mora a desempregada Jacilane Marciano Lima. Com 18 anos, é mãe de duas crianças. No casebre de madeira sem banheiro que divide com nove parentes, ela relata ter trabalhado dois meses para a prefeitura, antes de ser despedida. "Não me pagaram nem um salário", lamentou ela, queixando-se também dos mosquitos e dos ladrões.